segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

mofo .-.

a parede escurecida me lembra que a casa um dia vai cair, que os moveis vão continuar mofando, que a umidade do ar vai continuar causando alergia e que o cheiro de ácaro vai continuar entranhado em tudo que toco, que vejo. posso sentir no ar, a frieza deste momento, dessa circunstância. consigo entender que por mais que eu queira a água da chuva continua escorregando por entre os tijolos, ultrapassando o cimento e inundando a tintura, causando marcas que nem o tempo pode apagar. percebi como minha vida esta mofada. como as lágrimas deixaram marcas negras no meu quarto, estofando a parede branca da minha existência com cicatrizes que sei que não fui eu quem fiz, para a sua surpresa. eu posso tentar fugir, posso tentar sair pela porta e alcançar uma saída, mas sei que o que sinto esta no ar, presente em meus pulmões e estômago. logo este que se embrulha toda vez que penso na sua partida, se ludibria com a passagem desta, para que depois do vomito, possa se sentir a vontade. " eu fico a vontade com a sua ausência, eu já me acostumei a esquecer tudo que vai ". não quero ser ingrata com todos os meus soluços durante a madrugada, nem virar o jogo e a vitrine do lado contrario para que possa ter um panorama melhor disso tudo. eu só quero respirar aliviada, como um dia fiz, ver um dia esquecido nascer sorridente, raiando e cantando comigo, sem motivo, mas ali, como deve ser.

Nenhum comentário:

Postar um comentário